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| Divulgação |  |  | O primeiro bebê-figurante da história |  |
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| Quando Werner nasceu, no mesmo quarto acontecia algo espetacular. Era o primeiro parto de sétuplos do mundo e a mãe dos bebês havia
convidado todas as emissoras do país a televisionarem o recorde. No mesmo
momento em que todas as câmeras focalizavam a grávida recordista, nascia, ao
fundo do quarto, um bebê chamado Werner, o primeiro bebê-figurante da história.
Depois, quando pequeno, na escola, Werner estava sempre no
meio da massa de alunos, sem jamais se fazer notar. Quando tentava dizer algo,
todos o reprimiam e o mandavam para o fundo da sala. Aliás, uma coisa que
Werner logo descobriu é que ele estava sempre no fundo. Quando, por acaso, se
sentava na primeira fila, era no fundo que as coisas aconteciam, fazendo com
que ele se sentisse no fundo em relação àqueles que lá estavam. Por mais que tentasse, Werner nunca era o centro das atenções.
Se ele por acaso resolvesse fazer uma loucura, como vestir um maiô e dançar
cancan, quando olhava à sua volta todos estavam fazendo o mesmo há muito
tempo e ele estava apenas imitando a multidão dançante.
Quanto à sua aparência, não se pode dizer que era
bonito. No entanto, nada nele desagradava ao olhar. Possuía os olhos no lugar,
um nariz perfeitamente normal e o corte do seu cabelo era como qualquer outro.
Se até hoje não se falou muito em Werner, é só porque ninguém se lembrava dele,
embora ele tenha participado da vida de muita gente, sempre passando ao fundo e
dando um colorido especial à cena. Era um homem perfeito para se ter na
vizinhança.
| Ted Szukalski |  |  | Olhou, dançou |  |
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| Ao contrario do que poderia se pensar, sua vida não era um
marasmo. Muito pelo contrário. Ao seu lado sempre aconteciam as coisas mais
fantásticas. Bastava ele andar na rua para que prédios pegassem fogo, super-heróis
aparecessem e pessoas fossem abduzidas. No entanto tais coisas nunca aconteciam
com ele, mas com as pessoas à sua volta. Ele apenas observava perplexo e
conversava com os que estavam ao seu lado (sem jamais emitir um som, é claro).
Aos 63 anos, Werner morreu. Ou melhor, foi demitido: olhou
para a câmera.
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