Almanaque
Tem Brasil na rede
27/01/2007
Bernardo Mello Franco
A Justiça brasileira não entendeu a internet. No início do ano, preocupada com o que pensariam os patrocinadores, a modelo Daniela Cicarelli tentou censurar o vídeo em que contracena, bem à vontade, com o namorado numa praia espanhola. Instado a resolver o problema da moça, o desembargador Ênio Santarelli Zuliani carregou no martelo: bloqueou o acesso de cinco milhões de nativos ao portal. A decisão seria revista dias depois, mas foi suficiente para lançar o país mais uma vez no anedotário internacional.
 
Inspirado pela criatividade do magistrado, o Palma Louca oferece uma amostra do que há de melhor (e pior) sobre o Brasil na rede. Começando, claro, por futebol.
 
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O gol que Pelé não fez

Pelé em 70: o gol que o Rei não fez
"O gol mais bonito que não fiz foi aquele contra o Mazurkiewicz'", continuava a se lamuriar o Rei Pelé em pleno ano 2000, três décadas depois da semifinal da Copa de 70. Pois o YouTube está aí para corrigir a injustiça: com um clique, o internauta vê no barbante, com opção de tela inteira, a bola que caprichosamente raspou a trave direita do gol uruguaio. O filme foi veiculado na tevê pela Vokswagen, mas quem o eternizou foi o portal.

Falando em Brasil x Uruguai, nunca é demais rever a atuação de Romário no último jogo das Eliminatórias de 1993, no Maracanã. Afastado por indisciplina, o Baixinho voltou nos braços do povo para garantir a vaga na Copa dos EUA. Marcou dois gols que brasileiros e rebeldes cisplatinos nunca vão esquecer.
 
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O Império ataca

Bush e o mapa: paranóia virtual
O leitor anda inquieto com o avanço ianque sobre a América Latina? Então ponha as barbas de molho: no YouTube, a invasão do Brasil já começou. Uma animação produzida numa universidade particular de Olinda, em Pernambuco, revela os bastidores do dia em que o presidente George W. Bush determinou o ataque ao vizinho ao sul do Equador. Os marines contam com o reforço de Silvester Stallone e do governator Arnold Schwarzenegger, em versões com e sem legenda em inglês. Imperdível.

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Vale a pena rir de novo

Ô psite: Didi, a melhor Bethânia
A tevê anda chata? Então a boa pedida é rir com as piadas do passado. Entra ano, sai ano, e não aparece um malandro melhor do que David Pinheiro, o Armando Volta da Escolinha do professor Raimundo. Neste quadro, ele troca a dica do mestre por uma reluzente tevê portátil, que hoje só é sonho de consumo nas portarias dos piores edifícios. O personagem ficou conhecido pelo bordão e, após o fim do programa, David garantiu muitos Natais com a peça Sambarilove e as mulheres. Pelo nome, devia ser engraçada.

Renato Aragão, o Didi Mocó, é um dos recordistas de vídeos no ar. Aqui, ele dubla Maria Bethânia em Teresinha, de Chico Buarque. Mussum e Zacarias interpretam os pretendentes da nariguda. O quadro foi ao ar em 1986. É tão bom que Dedé Santana, o trapalhão chato, nem aparece. Há ainda quem prefira o número do Ney Matogrosso. O site é plural e respeita, sem preconceito.

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Lábia de Tom, vaia de João

Tom e a verdadeira função da música
O filme é antigo; o truque, mais ainda. Numa gravação raríssima, João Gilberto, Tom Jobim e Luiz Bonfá arranham o violão para seduzir os brotinhos na praia. A cena é do esquecido Copacabana Palace, fita italiana rodada no Rio em 1962. João, o temperamental inventor da bossa nova, é outra febre do YouTube. Entre muitas apresentações impecáveis, o portal guarda um saboroso bate-boca entre gênio e platéia em Salvador. Depois de provavelmente ter implicado com o som, a luz, o banquinho e a existência, ele cobra respeito e explica que está "chegando de uma viagem muito longa, cansado e sem dormir há um mês". Em outro vídeo, recuperado pela TV Bandeirantes, João é vaiado num festival e sai sem cantar.

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Os clones da Cicarelli

Insetos in love: Cica contra a dengue
Já que a nossa musa foi abatida por um surto repentino de inibição, fomos atrás ddas melhores paródias do seu romance praiano. A campeã por aclamação é uma campanha contra a dengue do governo gaúcho. No filme, os mosquitos aedes aegtpti mostram que também gostam de se reproduzir na água.

Em tempo: apesar da proibição
, o vídeo original volta e meia aparece de novo no YouTube. Basta procurar por "cicarelli" e "praia". E ter sorte.

 
 
 
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